Um caso de relações intensas entre Portugal e Suíça

0
160

O grupo suíço The Young Gods passou por Portugal para dar a conhecer o novo disco Everybody Knows. Os bilhetes esgotaram rápidamente e, para o muito aguardado reencontro com os fãs portugueses, teve de se realizar um espectáculo extra em Lisboa. Repórter da swissinfo.ch viu o espetáculo e falou com o lider e vocalista do grupo, Franz Treichler. Com uma relação fundada em dezenas de concertos que, ao longo dos 25 anos de existência, os The Young Gods (TYG) deram em Portugal, a simbiose entre artistas e público é verdadeiramente impar. A partilha da energia criativa entre a banda suíça e os espectadores portugueses cimentou uma profunda cumplicidade que, quer para quem está em cima do palco quer para aqueles que assistem aos espectáculos, é a garantia de momentos únicos e inesquecíveis. Nos concertos de Portugal os TYG deram a conhecer, ao vivo, o novo álbum “Everybody Knows” (2010), que fundiram com o acústico “Knock on Wood” (2008). No fundo, um espectáculo assente nos dois discos mais recentes, mas onde foram, também, tocados grandes êxitos da banda, como o incontornável “Gasoline Man” do disco T.V.Sky (1992). Para Franz Treichler (lider e vocalista da banda) os espectáculos de Portugal são “uma mistura de rock, essencialmente feito com as máquinas,” com o som “acústico” do disco lançado em 2008. “Ou seja, é uma mistura um pouco híbrida, bastante psicadélica, com momentos doces e momentos fortes.” Os TYG apresentaram-se no Hard Club, Porto (29 de janeiro), no Santiago Alquimista, Lisboa (30 e 31 de janeiro), e Teatro Municipal da Guarda, Guarda (1 de fevereiro). Depois de um dos concertos, Franz Treichler concedeu-nos a seguinte entrevista: Young Gods, com o vocalista Franz Treichler, em concerto, em Lisboa. (Luis Guita)Luís Guita – Falando dos vossos concertos em Portugal, qual é a vossa relação com o público português? Franz Treichler – Eu acho que temos uma relação bastante intensa com o público português. Fomos sempre maravilhosamente bem recebidos. As pessoas estão sempre presentes. É muito intenso, massivo. Há sempre algo emocional que se passa. Acho que se deve ao facto de virmos a Portugal desde o final dos anos 80, e acho que é uma relação que cresceu com o passar dos anos. Nós adoramos tocar em Portugal. Para nós, a Suíça, a Inglaterra e Portugal são os países chave. Com um público chave que adora aquilo que fazemos. Há sempre algo intenso que se passa. LG – Da vossa longa relação com o público português, qual é o concerto que guardam na vossa memória? FT – Tenho muito boas recordações de tocar no Festival Super Bock Super Rock, no primeiro ano em que se realizou. Ao ar-livre. À beira do rio Tejo, sob a ponte, foi magnífico. Acho que foi em 1995. Mas já tínhamos tido concertos memoráveis em Portugal. Posso mesmo dizer que aqui quase todos os concertos são memoráveis. No princípio era um pouco difícil porque não havia muitas estruturas, e as coisas eram mais improvisadas. Tocámos em discotecas e em antigas salas de cinema pornográfico, tocámos também no salão A Voz do Operário – e são recordações muito, muito boas. São coisa que são inesquecíveis, sem dúvida! A experiência partilhada entre público e banda pode ser tão intensa que a professora Fernanda Lopes, fã da banda desde os inícios de 1990, não hesita em considerar os concertos dos TYG como um “reencontro, muito aguardado, com um amante secreto. É uma paixão sem freio.” Segundo o promotor dos concertos na capital portuguesa, Pedro Carvalho, a aposta nos The Young Gods é sempre uma aposta ganha. Pois, a banda tem “um núcleo de fãs bastante importante em Portugal. Acho que Portugal é um dos países da Europa onde os The Young Gods têm mais fãs.” Para Franz Treichler um dado que se “deve de mencionar” é o “facto de agora o grupo ser constituído por 4 pessoas. “Uma mudança na composição da banda que trouxe também mudanças ao nível do som dos TYG: “Agora há o Vincent, que toca guitarra, baixo e samplers. Logo, ao nível do som, é algo mais multi-camadas. Há muitas camadas sonoras.” LG – Os The Young Gods sempre foram conhecidos como um trio (Franz Treichler, Alain Monod, Bernard Trontin). Agora, com a inclusão de Vincent Hanni, são quatro elementos. Os The Young Gods vão permanecer como um quarteto ou poderão vir a mudar, novamente, a composição do grupo? FT – É sempre difícil falar disso. Esta versão de 4 elementos é relativamente nova. O álbum (Everybody Knows) foi feito por quatro elementos. Então, o que é importante é que todos participem e o apresentem ao vivo em concerto. E acho que é assim que os temas resultam melhor. Quanto ao futuro, é difícil dizer, mas, para já, o Vincente está integrado no grupo. E é preciso saber, também, se ele está a gostar, se ele o quer. Já estamos assim há algum tempo e, sem dúvida, é um outro equilíbrio. Já não é um power-trio, mas permite muitas outras combinações super interessantes musicalmente. LG – O que é que esteve na origem desta mudança? FT – Tudo começou por uma questão prática. Quando quisemos fazer o projecto acústico (Knock on Wood) precisámos de uma quarta pessoa, porque as minhas capacidades para tocar e cantar ao mesmo tempo não são muito desenvolvidas, e não quisemos assumir um projecto acústico apenas com 3 pessoas. Bernard, eu e Alain quisemos desde o início trabalhar com mais alguém, – o Vincent que conhecíamos. Já tínhamos feito projectos com Vincent, como o The Young Gods play Woodstock, e aí eramos 5 ou 6 em palco . Foi a partir desse momento que passámos a ter uma relação musical com o Vincen LG – Já existem ideias para um novo disco? FT – Não, ainda é cedo para isso. Vamos fazer com que este disco viva o mais tempo possível. É claro que cada álbum traz novas ideias, e no caso de um novo disco gostaríamos de ir mais longe na mistura de sons acústicos e muito electrónicos, afastando-nos do lado mais rock, tentando desenvolver isso de uma forma mais orgânica.