Suíça preocupada com a proteção do menor na Internet

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Uma campanha lançada na Suíça, na segunda-feira (31), pelo site www.netla.ch visa sensibilizar os jovens sobre os riscos de publicar dados pessoais na rede. Intitulado “Netla – sou dono dos meus dados”, o site é parte da campanha nacional de prevenção para a proteção de dados e da privacidade. O Conselho para a Proteção da Privacidade e a Secretaria Federal da Proteção de Dados são responsáveis por esta iniciativa, que visa o uso responsável dos dados pessoais na Internet. Nesta nova plataforma, as crianças e jovens com idades entre 5 e 14 anos, pais e professores têm de utilizar diferentes materiais tais como desenhos animados, jogos e concursos, entre outros. Estes elementos educacionais, e uma porção de conselhos valiosos, devem ajudar crianças e adolescentes a conhecer o valor da esfera privada, de uma forma apropriada à sua idade. Infância e tecnologia A medida foi tomada poucos dias depois da publicação de um estudo internacional da empresa AVG Internet Security revelando que as crianças de hoje aprendem a usar a internet antes mesmo de serem capazes de andar de bicicleta ou apetar os atacadores. O estudo da AVG destaca que entre os mais pequenos na amostra, 2 a 3 anos, 44% são capazes de usar um computador para jogar, enquanto apenas 43% das crianças sabem andar de bicicleta. Além disso, 25% das crianças de 2 a 5 anos são capazes de abrir e utilizar um navegador web. 58% sabem jogar no computador. Por outro lado, a AVG também destaca o número elevado de bebés nas redes de relacionamento e na Internet: em média, 81% das crianças menores de 2 anos têm algum dossiê ou perfil digital com imagens publicadas no ciberespaço. Redes abertas Hoje, as crianças têm acesso à Internet em idade pré-escolar. Imitam os adultos e aproveitam das oportunidades disponíveis, muitas vezes sem terem consciência dos riscos. Participando em concursos, pesquisas e redes de relacionamento, as crianças e os adolescentes revelam com muita facilidade informações sobre si mesmos, diz o Conselho para a Proteção da Privacidade. O organismo estima que mais de um terço dos jovens confiam suas informações pessoais e fotografias nas redes de relacionamento, de modo que estas informações são totalmente acessíveis. Estima-se que mais de 60% dos jovens trocam informações com cada contato que têm nas redes de relacionamento. O predomínio e a popularidade das redes sociais crescem sem parar. “Não é algo ruim em si mesmo. O uso que é dado a elas é que pode causar problemas”, disse Rosa Delgado, vice-presidente da Internet Society da Suíça (ISOC) à swissinfo.ch. “Sabemos que é mais fácil para as pessoas darem informações privadas no Facebook ou no Google do que para uma rede de sua cidade. As pessoas desconfiam, se sentem controladas, preferindo uma rede aberta”. Descuido na proteção Crianças e adolescentes precisam ser mais ativas e devem ser incentivadas a refletir sobre seu comportamento, tomando mais cuidado com seus dados pessoais. Quem lida correctamente com seus próprios dados está mais protegido contra os riscos, considera o Conselho para a Proteção da Privacidade. Os jovens precisam de ajuda para desenvolver suas habilidades no mundo da mídia. “Queremos apontar com os dedos, mas despertar a curiosidade”, disse Hanspeter Thür, comissário federal para a proteção de dados, entidade que financia a campanha com 500 mil francos. Hanspeter Thür lamenta a tendência gerada pelos meios de comunicação na internet em descuidar com a proteção da personalidade, facilitando a publicação de informações pessoais. Por isso a necessidade de desenvolver as habilidades das crianças e dos adolescentes nessa área. Diálogo aberto, mas não directo “Não existe a possibilidade de uma discussão directa com o Facebook na Suíça. Teríamos que tomar um avião para encontrar os responsáveis nos Estados Unidos, mas isso são outros quinhentos. Em todo caso, empresas como Facebook deveriam ter representantes na Suíça”, declarou Thür na apresentação da campanha. “É meu dever garantir que tais serviços ofereçam o máximo de segurança para os utilizadores, respeitando a privacidade deles. Facebook faz exatamente o oposto, padronizando as contas de forma tão complicada”. Na Suíça, um indivíduo usou recentemente fotos de uma adolescente tiradas a partir da Internet para criar uma lista de contatos, mencionando o número de telefone da menina, “destruindo” a jovem, disse o comissário federal. Como as histórias de “mobbing”entre os jovens, com o uso indevido de imagens na Internet, que só favorece o aumento de tais problemas. Os adolescentes precisam estar conscientes dos riscos que enfrentam, disse Thür.