Raquel Marques está a gerir projectos de qualidade dos elevadores Schindler

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Raquel Marques é natural da cidade do Porto, tem 27 anos de idade e chegou à Suíça no dia 29 de Janeiro de 2012. Tem formação em Psicologia e entrou para a Schindler em Portugal no ano de 2008. Está a gerir projetos de qualidade e falou-nos do seu percurso. Como é que veio parar à Suíça? Raquel Marques – Quando eu entrei para a Schindler no ano de 2008, ingressei logo num programa que implicava uma mobilidade internacional, que se chama “Schindler courrier developed programm”, sendo esse um programa de desenvolvimento de carreira, na qual teremos de passar algumas fases… Passados 2 a 3 anos de experiência profissional no país de origem, é suposto um trabalhador mover-se para outro país, não quer dizer que seja obrigatório a Suíça. Para se mudar de área do departamento funcional, mudar de funções, a ideia é ao fim de 2 ou 3 anos voltar novamente ao país de origem, mas isso são investimentos da empresa, e estas coisas ficam caras aos países onde têm os trabalhadores Essencialmente em que consiste o seu trabalho? RM – Em Portugal eu fazia a ponte entre os clientes e a Schindler, era responsável por uma área de negócio no centro da cidade do Porto, na qual tinha de gerir a carteira de clientes, as reclamações, as necessidades, as reparações, as vendas… de tudo um pouco do que acontecesse na minha área. Gazeta – Não tem nada a haver com a sua formação académica? RM- Não, quando entrei para a Schindler tive de ter formação na área técnica de elevadores e consulta, mas nunca vou ser especialista, nem tenciono ser especialista. A minha formação de base tem muito a ver com pessoas, o relacionamento, dinâmicas de organização . Aqui na Suíça sou “projet management”, e estou a gerir dois projetos na área da qualidade, eles queriam alguém que tivesse, não necessariamente que se tivesse formação técnica, mas sim com experiência dentro da empresa e que conhecesse o negócio a nível de assistência. Assim, ingressei no departamento da qualidade para trabalhar com métodos de manutenção de elevadores e escadas rolantes existentes. Quando cá chegou esperava encontrar tantos portugueses na firma? RM – Eu não encontrei muitos portugueses na firma porque não existem assim tantos, existem muitos brasileiros e não estava à espera de encontrar tantos, falo muito português e queria logo um núcleo a falar português. Mas português encontrei só mesmo o António Rodrigues e há um outro técnico que é o Luís, foi a primeira pessoa que eu conheci, minto! Também conheci ao Dinis que é o responsável pelo call center. E o projeto que esta a fazer é direcionado, a quem em geral? RM – É direcionado aos métodos de manutenção de escadas rolantes, e gerir componentes de elevadores que já existem e não tem nada a haver com elevadores novos, não trabalho com áreas novas, basicamente consiste em trabalhar com elevadores existentes que necessitem de manutenção e que é obrigatório por motivos de segurança, e esses são os projetos que estou a gerir que vão de encontro a manutenção e implementação de alteração de algumas coisas que sejam necessárias para o bom funcionamento do mecanismo. A língua germânica é um obstáculo? RM – Não porque no nosso edifício a língua oficial é o Inglês, portanto trabalhamos todos em inglês. Pensa em aprender o alemão? RM– Penso em aprender o básico, e se ficar aqui serão só dois anos e meio o que me impossibilita de aprender o alemão correto. Digamos então que nesta empresa é apenas uma experiência profissional? RM – Sim, podemos dizer que sim. Como é que uma psicóloga de formação abraça um projeto destes? RM – Muito naturalmente. Quando entrei para a Schindler em Portugal foi com o objetivo de realizar o trabalho que felizmente fiz. Aqui, vim dar a continuidade a esse mesmo percurso profissional realizado. De uma forma natural de como se abraça qualquer outra profissão. Já trabalha para a Schindler há quantos anos? RM – Entrei para a Schindler em 2008, e se me perguntar porque é que me quiseram aqui, não sei responder, eu estava em Portugal com o destino de mudar de funções, e com o meu perfil e currículo que tinha. Entretanto, inscrevi-me no mestrado de economia e administração de empresas, foi esse, talvez, o grande passo para a minha passagem para trabalhar no exterior. A Raquel pensa que nos dias de hoje esta corrida às reestruturações contínuas e quase sistemáticas, é o caminho a seguir, sendo que são os recursos humanos os que mais sentem? RM – Não sei se é o caminho a seguir mas é o caminho possível. Mas isso não vai eliminar empregos no dia do amanhã? RM– A questão é mesmo essa, e neste momento estamos a passar uma crise na qual as empresas têm de se adaptar, sem adaptação não conseguem sobreviver. Fala-se muito na emigração e nos fluxos migratórios, a Raquel sente se como uma emigrante? RM– Não, embora tenha melhores condições aqui do que tinha em Portugal. Mas acha que as pessoas que tenham uma formação superior, e com a crise existente, a emigração é a porta de saída ? RM – Sim, mas existem casos que tenham mais sorte do que outros. Felizmente as coisas sempre me correram bem, mas também sei que em Portugal as coisas não estão bem, e as pessoas qualificadas ganham muito mal. A saída é uma alternativa válida.