Problemas conjugais provocam tragédia (actualizada)

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Ex-marido, natural das Caldas da Rainha, terá tentado ainda alvejar filhos da ex-mulher, mas foi impedido pela mais velha. De seguida, suicidou-se.

A vila de Wilderswil, perto da turística Interlaken, no cantão de Berna, na Suíça, acordou esta segunda-feira com os cadáveres de três portugueses na rua, na sequência de um duplo homicídio seguido de suicídio motivados por conflitos familiares e ciúmes.

Os mortos são uma mulher portuguesa, o seu actual marido e o ex-companheiro, que os terá seguido desde as Caldas da Rainha até à Suíça, para os matar, tendo-se suicidado de seguida.

Vítimas e agressor tinham entre 40 e 50 anos de idade.  De acordo com testemunhas locais, citadas pelo jornal Berne Oberländer, o alegado homicida vinha aterrorizando e ameaçando a sua ex-mulher, de quem estaria separado há vários anos. Esta manhã, por volta das 6h locais (mais uma hora em Portugal continental), tocou-lhe à campainha e disparou quando esta assomou à porta. Quando, alertado pelo disparo, o actual marido da mulher saiu, foi igualmente alvejado.

Natural das Caldas da Rainha, o ex-casal tinha um filho em comum. Com sete anos, era o mais novo dos três filhos da mulher, Lídia. Além deste, a portuguesa era mãe de Diana, com 20 anos, e Ana, com 16. Estas eram filhas de uma relação anterior. Lídia e Jerónimo, o seu actual companheiro, viviam há cerca de um ano naquela vila suíça, onde se fala alemão. “Antes o casal vivia nas Caldas da Rainha e mudou-se para cá precisamente para fugir ao ex-marido de Lídia que já os perseguia em Portugal”, relatou ao PÚBLICO uma portuguesa que vive em Wilderswil, Susana Cruto, segundo a qual as visitas do pai ao filho mais novo de Lídia eram “reguladas pelo tribunal”.

Há dois meses, Lídia e Jerónimo resolveram casar. Ele trabalhava num hotel das imediações e ela numa lavandaria, juntamente com a filha mais velha. E terá sido esta que impediu o ex-marido da mãe de entrar na casa e alvejar os irmãos. Uma informação confirmada ao PÚBLICO pelo secretário de Estado das Comunidades, José Cesário. “As autoridades suíças disseram que, antes de se suicidar, o homicida tentou entrar em casa e disparar sobre os filhos, não tendo conseguido porque estes fecharam imediatamente a porta”.

O agressor matou-se de seguida. O seu corpo foi encontrado dentro do seu automóvel e os restantes dois foram encontrados na rua, em frente a casa, não muito longe do local onde a viatura do homicida estava estacionada.  A polícia, que foi alertada para a presença dos corpos por volta das 7h locais, montou imediatamente três tendas no local do crime e reduziu a visibilidade com um autocarro para impedir que os alunos de uma escola vizinha vissem os corpos.

Quanto aos filhos de Lídia, José Cesário assegura que os serviços sociais suíços foram imediatamente alertados pela polícia local. “A inspectora da polícia acabou de nos informar que as crianças e jovens foram entregues a uma tia”, adiantou o governante, por volta das 17h30, assegurando que, até àquela hora e ao contrário do que é habitual, nenhum familiar das vítimas contactou a embaixada ou os serviços de emergência consular.

Fonte: Público