Ó tempo volta para trás!

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A licença do isqueiro foi um dos símbolos das absurdas taxas aplicadas ao cidadão pelo regime de Salazar. Os portadores dos isqueiros eram obrigados, no início de cada ano, a deslocarem-se à secção local de finanças para tirar a respetiva licença de porte e uso, uma medida que levava aos cofres do Estado muitos milhares de escudos. Quem fugisse à taxa e fosse apanhado a acender na via pública um simples cigarro, candidatava-se ao pagamento de uma coima. Passadas perto de quatro décadas, após a queda do anterior regime, os novos ministros, olhando com saudade para o passado, avançam mansos como uma bênção episcopal, aplicando para tudo uma taxa, ou sobrecarregando outras com mais uns pontinhos. Há quem diga que o Gasparzinho das finanças é um exímio especialista em inventar impostos, que até escreveu e lançou um livro infantil para explicar às crianças, a crise e as suas bem-aventuranças. Neste belo e moderno enquadramento, entre tantas cabeças, surge mais uma a aplicar impostos, o nosso Secretário de Estado, o homem das Comunidades. Como os acendedores de cigarros são hoje produtos tão corriqueiros e baratuchos, nada melhor do que aplicar a ilegal taxa de 120 euros para apreender a falar o português, a língua de Camões, Pessoa, Saramago, a nossa língua! São estas as cabecinhas que têm o poder e o aplicam, são elas que decidem, a frio, as nossas vidas e nos mandaram e mandam emigrar. Não gosto de ofender ninguém mas, como a palavra imbecil é bem aplicada a estes ministros e secretários, não me escuso de a utilizar. É bem aplicada a um governo que tanto tem provocado os portugueses e espezinhado todos os dias, a todas as horas, a Constituição da República Portuguesa, a Lei Fundamental do País. A taxa do Cesário, a propina no valor de 120 euros, com direito a descontos em situações específicas, é feita à medida de uma classe política interessada em liquidar os direitos alcançados pelos emigrantes e as suas comunidades, em roubar direitos para aumentar ainda mais a exploração. Ou seja: a tal propina que nos querem impor; é um roubo. Não paguem! Boicotem as propinas tal como no passado se boicotava a licença do isqueiro.

Manuel Beja