O Milagre de Reussbühl

Joana Coimbra (24) saltou de uma casa em chamas e fracturou a coluna vertebral

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Joana Coimbra, de 24 anos, salvou-se em Maio de um violento incêndio na casa multifamiliar onde vivia em Lucerna. STEFANO SCHROETER

No passado mês de Maio, uma notícia dizia: Em Luzerna uma mulher de 24 anos salta de um quarto andar de uma casa em chamas e, sobrevive mas gravemente ferida. A mulher é Joana Coimbra. Ela conta agora porque saltou, e como está vivendo hoje, não obstante as dores que a atormentam.

Na noite de Terça-feira, 23 de maio, a vida de Joana Coimbra (24) muda para sempre. No seu apartamento numa casa multi-familiar em Reussbühl, um bairro da cidade de Lucerna na Suíça, desenvolve-se um incêndio. Antes da chegada dos bombeiros, a jovem procura salvar-se. Com um salto do quarto andar.

A sobrevivente fala pela primeira vez sobre o sucedido. Ela lembra: “Eu estava sózinha em casa e apercebi-me do cheiro a queimado”. Dez minutos depois, quando o cheiro se intensificou, Joana percebe a gravidade da situação: “Peguei o telefone imediatamente e liguei para o meu amigo”.

André Mota (24) está de regresso do trabalho: “Eu disse-lhe para sair imediatamente do apartamento.” O que ele não sabia era que as chamas já bloqueavam o caminho da jovem Joana Coimbra. “Quando abri a porta, uma nuvem de fumo intenso veio na minha direção. Fechei de imediato a porta”, diz a jovem.

O seu companheiro acompanhou tudo pelo telefone

Na sua angústia, ela liga de novo para o seu amigo, e grita-lhe ao telefone: “Eu tenho que saltar pela janela ou eu vou morrer!” Mas o apartamento do jovem casal está no quarto andar. O seu companheiro quer detê-la: “Não, não saltar!” Ele sabe que entre a casa e o chão são pelo menos dez metros.

A sua namorada mal consegue respirar. “As chamas entraram no apartamento, o fumo está cada vez mais forte”. A jovem de 24 anos luta com a ideia: “Ou eu morro no incêndio ou por causa do salto!”

Em frente à casa, os residentes já se reuniram. Eles gritam: “Não pular! Espera pelos bombeiros “Quando eles percebem que Joana Coimbra quer saltar, eles trazem colchões.

Isso dá-lhe alguma segurança, mas também a fé em Deus ajuda: “Uma voz interior disse-me que tudo iria correr bem se eu salta-se. Então sentei-me no peitoril da janela, olhei para os colchões e saltei.

Coluna vertebral quebrada – Os pesadelos perseguem-na

A jovem Joana sobrevive ao salto. O seu companheiro acompanhou tudo pelo telefone. Ela disse-lhe: “Caí de costas. Senti muitas dores.” Foi transportada de imediato para o hospital.  “O médico disse-me que tive muita sorte”. Ainda assim, parti algumas vértebras. Seis parafusos agora fixam a coluna da Joana Coimbra. A dor aflige-a: “Durante os primeiros dois meses quase não podia mexer-me. Agora estou melhor, mas ainda estou movendo-me lentamente e, tomando regularmente comprimidos para as dores”.

O peso e o medo de ficar sózinha em casa permanecem. À noite, eles tornam os sonhos em pesadelos. Joana Coimbra diz: “Eu sonho que estou presa no apartamento em chamas. E não posso sair. ”

O jovem casal perdeu todos os seus haveres no incêndio. “O pequeno porquinho mealheiro de cor vermelha, a carteira e as chaves do carro foi o que restou”, diz Mota. O porquinho é o amuleto da sorte, que já ajudou o casal a encontrar um novo apartamento dentro de pouco tempo. “Agradeço a todas as pessoas que nos ajudaram”, acrescenta Coimbra. Seu maior desejo: “Eu quero ter de novo uma vida normal e voltar a trabalhar o mais rápido possível”.

Fonte: Blick   Tradução: Pt Comunidades