Emanuel, o Rei do Pimba

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No dia 25 de Março de 1957 nasce em Covas do Douro na região de Trás-os-Montes uma criança do sexo masculino a quem foi dado o nome de Américo Pinto da Silva Monteiro.

Aos 10 anos deixa a terra natal e vai para Lisboa onde em 1973 aprende a tocar guitarra clássica tornando-se professor desse instrumento. Começa a cantar e lança alguns discos com o seu nome próprio. Altera o nome artístico para Emanuel e em 1994 atinge o sucesso com o tema “Rapaziada vamos Dançar” e, no ano seguinte lança o seu maior êxito, “Pimba Pimba”. Pessoa de bom trato e extremamente simpático e profissional, é sempre bem recebido nas festas onde participa. Foi numa das suas últimas passagens pela Suíça que tivemos o prazer de o encontrar aproveitando para realizar a pequena entrevista que vos apresentamos.
PTC  –  Olá Emanuel. O „Pimba“ é o seu grande sucesso e ficará para sempre ligado ao seu nome. Você acha que será possível, algum dia, criar um outro sucesso capaz de o superar?
Emanuel  –  Não sei. Pode acontecer. Pode acontecer de facto. Eu sou um músico preparado para fazer diversos géneros musicais e às vezes esses fenómenos acontecem, quando uma grande música aparece no momento certo. O “Pimba” foi o caso. Pode acontecer. Agora garantir se vai acontecer ninguém sabe, só Deus, provavelmente.
PTC  –  Mas sem dúvida o “Pimba” foi o lançamento de uma grande carreira?
Emanuel  –  Foi. Foi. Eu diria que a confirmação, porque na realidade em 1994 eu lancei uma música que se chamava “Rapaziada vamos dançar” e estive seis meses no Top+ e vendeu 150’000 cópias. Portanto a minha carreira estava lançada. Agora nunca teria era criado o fenómeno que aconteceu o que é diferente. É verdade que a carreira dessa forma atingiu logo o apogeu imediato e que se não tem, aparecido o “Pimba” provavelmente teria que esperar 4 ou 5 anos. Teria de ter um crescimento normal. Mas o “Pimba” foi de facto um fenómeno muito interessante na sociedade portuguesa.
PTC  –  Qual é a sua opinião sobre o momento actual da música portuguesa?
Emanuel  –  A música portuguesa teve um momento muito bonito, um crescimento fantástico. Com o aparecimento da pirataria aí as coisas alteraram-se. Não está a viver um grande momento porque a maioria das editoras faliram e portanto não podem investir em gente nova. É verdade que a música portuguesa em termos de qualidade mantêm-se. Temos hoje grandes intérpretes e grandes músicos que se desenvolveram na parte final da década de 90 do século passado e estão portanto no seu apogeu em termos de qualidade, mas a quantidade que era esperada diminuiu exactamente porque a indústria está quase falida.
PTC  –  Então, segundo a sua opinião, a actual crise afectou a música portuguesa na quantidade e promoção?

Emanuel
  –  Afectou de facto a questão económica da música. Os cantores hoje trabalham menos, os discos vendem-se menos e, por consequência nesse sentido. O resto continua com toda a naturalidade.
PTC  –  Você é um cantor amado pela comunidade portuguesa e percorre o mundo actuando para ela. Qual é a sensação que sente nessas  actuações?
Emanuel  –  É uma sensação muito interessante, até porque eu tenho um elo sentimental muito forte com os portugueses à volta do mundo. É preciso perceber que de facto a raça portuguesa tem uma característica muito específica e isso manifesta-se tanto lá em Portugal como fora. No entanto a comunidade portuguesa fora do país usa o artista como uma espëcie de catalizador ao seu país de origem e portanto junta a saudade ao entusiasmo e por consequência a energia que se vive num espectáculo com a emigração acaba por ter uma mais valia comparativamente com os espectáculos em Portugal.
PTC  –  Qual é a sua opinião em relação à comunidade portuguesa na Suíça.
Emanuel  –  Eu conheço muito bem a comunidade portuguesa na Suíça. É quase idêntica a outros sítios. Diria que é muito idêntica à do Canadá. Uma comunidade que curiosamente tem a mesma alegria que nos outros sítios mas tem uma disciplina muito própria e muito interessante. Não sei se é do país, não sei se é da forma de ser, mas demonstra uma disciplina muito diferente e que eu gosto pessoalmente
PTC  –  Para terminar quer deixar uma mensagem especial para esta mesma comunidade?
Emanuel  –  Quero, quero. Eu tenho familiares que estiveram na Suíça e realizaram a sua vida na Suíça e já regressaram à terra de origem. Esses familiares têm uma bela casa, têm uma bela vida, felizmente, e espero que todos os emigrantes que estão na Suíça atinjam o seu Eldorado, quer dizer que atinjam todos os objectivos que estabeleceram para si próprios. Não vieram para a Suíça para ver a Suíça, vieram para trabalhar e óbviamente melhorar a sua vida e a vida das suas famílias. Espero que consigam de facto isso.