Drama traumático

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Localizada, no centro da Europa, a Suíça ou Confederação Helvética, é bem um torrão de encanto, cheia de montanhas e lagos, com paisagens idílicas que, para além do mais, tem uma vida económica das mais ricas do Mundo, como o comprova o facto de ser a sede de inúmeros bancos privados e de organismos internacionais.

Neste contexto, a topografia acidentada, exige dispêndios avultados para se abrirem vias rodoviárias e ferroviárias.
Todavia, tal facto, não tem sido impeditivo, já que, mesmo assim, possui rede notável, constituindo autênticas obras de arte, ao ponto de, ainda hoje, as pontes, dos velhos tempos, conservarem uma conotação mítica. Como exemplo, a chamada ponte do Diabo, nas proximidades de Andermatt, por ter exigido o sacrifício humano nos limites do possível. Outra ponte, também lendária, em Berna/Lorraine, concluída em 1944, mantém um vão livre de 150 metros.

Todo este esforço para que, no alto das montanhas, quando cobertas de manto branco, nos meses de rigoroso inverno, obrigando os condutores que por elas circulam a darem passos tortuosos para as atravessar; com tanta riqueza, fizeram-se túneis de 16 kms de extensão, passando a transitáveis, todo o ano, reduzindo-se também o percurso. A expectativa de vida é das mais duradouras. Em média os homens ultrapassam os 80 anos e as mulheres 3 a 4 anos mais velhas. Assim, nos 7.5 milhões de habitantes, 1.000 têm mais de 100 anos. Esta realidade é devida à pureza dos ares e ainda ao sistema de saúde, de excelente qualidade.

A juntar a estes atributos de vida, os suíços têm um nível económico bastante elevado, com um carro, para cada dois residentes, substituindo-o por outro novo, antes de 10 anos. No que concerne a religiões, a católica romana tem a maioria, 42%, logo seguida da protestante, com 40%. Há ainda outras com números insignificantes: a muçulmana e judaica, não chegam 2% e os restantes residentes não têm qualquer filiação. O turismo tem, na Suiça, uma forte vertente económica. Cada cantão fala a língua do país vizinho, sendo as mais faladas: Alemão, Francês e italiano. Difícil para o turista que não as compreenda, ver-se-á embaraçado para ficar sem tradutor.

Um nosso amigo esteve, durante oito dias, em Berna; brinde à firma que, em Portugal, mais rádios tinha vendido de uma determinada marca alemã. Aceitou, com viagem e estadia, num dos melhores hotéis. Era inverno, havia frio cortante. Ao circular pelos jardins públicos surpreenderam-o as plantas floridas, viçosas que nos canteiros relvados davam uma imagem de grande beleza. Apesar do gelo, sobreviviam sem murcharem. Mas qual o espanto quando reparou que as plantas eram substituídas e ali colocadas em vasos, tira um e coloca outro que vinha da estufa. Num desses jardins, encontrou, por mera casualidade, alguém que falava português, com sotaque brasileiro!

Oásis naquele mundo cosmopolita, já que estava a ser complicado, para ele, uma vez que, somente, falava e compreendia a língua de Camões. Instintivamente, os olhos regalaram-se com o feliz encontro, não só por deparar com alguém que o compreendia, mas também por ser uma adolescente simpática, bem-falante e de dialéctica ágil e sagaz, bastante vistosa. Encantadamente e sem se fazer rogada, disponibilizou-se, desde logo, para servir de cicerone. O nosso amigo, pessoa varonil, com características próprias do homem másculo, corajoso e vigoroso, aceitou e, sem perda de tempo, imaginou um agradável acaso. A moça com quem dialogava era alta, de cabelos pretos e lisos, soltos e de fina estatura, com seios bem salientes.

O namoro não foi difícil, já que a jovem brasileira tudo fazia para cativar o simpático comerciante viseense. Um dar de mãos, um sorriso provocante, olhos apaixonados e ternos. Por ali andaram até a hora do jantar que, por simpatia, o nosso amigo ofereceu num outro hotel (não onde estava hospedado), servido à luz da vela, requinte e com bom vinho! Depois de este encantamento, subiram a um dos quartos do mesmo hotel, altamente luxuoso e agradável, em perfeito contraste em relação ao frio cortante que se fazia sentir no exterior.

O comerciante deliciado com tanta beleza, começou a beijar a moça, com voracidade que, sem inibições, toda se entregava, ambiciosa por uma relação duradoira. Puxou-a para junto da cama, enorme e redonda, sentado e com a jovem de pé, começou por lhe tirar do corpo o vestuário, peça por peça, deliciando-se com a pele macia e perfume embriagante, cobrindo os seios e a barriga de beijos. Aconteceu que, quando, por último, lhe tira as “calcinhas “reparou nuns elásticos com que prendia o sexo masculino. Atónito, ficou inerte.

De imediato, deu um salto, levantou-se, instantaneamente; ficou pálido, cor de cera, para logo, com um forte empurrão, afastar-se desiludido fugindo, escadas abaixo, nem sequer esperou pelo elevador, não fosse avariar ou, pior, nunca mais chegar. Drama traumático que marcou de forma repulsiva as férias, mediante os sentimentos dele, mergulhado no sonho utópico, daí que, jamais, esquecerá a forma malquista e negativista que, mortificadamente, viveu de pavor.