Marcos de demarcação da zona de produção de vinhos generosos do Douro – Tabuaço

IPA: Monumento

Nº IPA: PT011819010008

Designação: Marcos de demarcação da zona de produção de vinhos generosos do Douro

Localização: Viseu, Tabuaço, Adorigo

Acesso:

Marco n.º 94, localizado na Freguesia de Adorigo, pela EN 222, ao Km 141,5, para EM 512, em frente a tanque de água; marco n.º 96, pela EN 323, ao Km 47,2, para estrada particular a 200 metros

Protecção: IIP, Dec. nº 35 909, DG 236 de 17 de Outubro 1946 *1

Enquadramento:

Rural, a meia encosta, o primeiro isolado e o segundo adossado a muro da propriedade denominada Quinta da Aveleira, em zonas de interesse paisagístico, sobre os rios Douro e Távora, respectivamente.

Descrição:

Marcos de granito monolíticos, de forma paralelepipédica, apresentando, epigrafada numa das faces, a inscrição “FEITORA R 1761”. O segundo apenas tem a inscrição “FEITORIA”.

Descrição Complementar: Não definido

Utilização Inicial: Agrícola: marcos de demarcação da área vinhateira do Alto Douro

Utilização Actual Marco histórico-cultural: marcos de demarcação da área vinhateira do Alto Douro

Propriedade Privada: pessoa singular

Afectação: Sem afectação

Época Construção: Séc. 18

Arquitecto | Construtor | Autor: Desconhecido.

Cronologia:

Séc. 16, 1ª metade – os vinhos generosos, de há muito produzidos na região do Douro, favorecida por factores climáticos específicos conjugados com as características geológicos e morfológicos do solo, eram conhecidos na época com a designação de vinhos de Lamego e considerados os melhores e mais aromáticos do reino; a sua área de produção era relativamente pequena, sendo na maioria transportados por terra para o reino e para Castela; 1675 – a designação “Vinho do Porto” surge, pela primeira vez, em documentação relativa à exportação de vinho para a Holanda; 1703 – Tratado de Methuen, entre Portugal e Inglaterra, concede direitos preferenciais aos vinhos portugueses; séc. 18, meados – reestruturação dos vinhedos, ocupando-se, cada vez mais, a zona do Cima Corgo, onde o vinho obtido era mais ao gosto britânico; transformação da paisagem , que se submete à vinha, a qual passa a dominar a região; o clima de euforia degenera em adulteração e no caos comercial, verificando-se, ainda, uma crise de superprodução; a solução para o equilíbrio da região é encontrada pelo biscaínho Bartolomeu Pancorbo e pelos durienses Luís Beleza de Andrade e frei João de Mansilha, que propõem a Sebastião de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, a instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro; 1756, 10 Setembro – alvará régio que aprovou a criação da Companhia, com o objectivo de garantir a qualidade do produto, fixar os preços e estabelecer a demarcação da região vinhateira; a criação da primeira companhia nacional de monopólio dos vinhos do Alto Douro levou à demarcação da região produtiva dos mesmos, a primeira demarcação de produção de vinhos do mundo, através de um cadastro ou registo das vinhas autorizadas das margens do Douro, denominadas vinhas ou vinhos de feitoria e embarque, classificando-os ainda segundo categorias, sendo os vinhos de feitoria de 1.ª categoria destinados à exportação e os vinhos de ramo e de mesa, de 2.ª categoria, para consumo interno; 1757 – colocação de 201 marcos de feitoria, para perpetuar esta primeira demarcação; 1760 – dois ingleses de visita a Portugal e à região de Lamego compraram toda a produção de vinho generoso de uma quinta perto do Pinhão e divulgaram a bebida em Inglaterra com muito sucesso, dando início às primeiras colónias de produtores ingleses, como Diogo e José James Forrester; este elaborou um levantamento da região e traçou a primeira planta do curso total do rio Douro; 1761 – nova demarcação da região, colocando-se mais 134 marcos; 1792 – a abertura do Cachão da Valeira intensifica as relações para o Douro Superior, embora a expansão dos vinhedos só se verifique no séc. 19; 1834, 30 Maio – D. Pedro transforma a Companhia numa mera empresa comercial; a inexistência de organismos superintendentes, levou à proliferação os vinhos do Porto adulterados que, conjugado com a perturbação do mercado inglês e a abertura da barra do Douro a todos os vinhos, mergulha o sector numa crise profunda; 1838 – reabilitação da Companhia e criação dos portos do Douro exclusivamente para o vinho duriense; 1850 – proliferação da maromba, mal negro ou gamosa; 1852 – grande prejuízo na cultura da vinha na área do Baixo e Cima Corgo provocada pelo oídio; 1863, a partir – devastação dos vinhedos pela filoxera; 1893 – surto de míldio na vinha; 1907 – nova demarcação da região de produção do vinho do Porto, que passa a incluir o Douro Superior até à fronteira com Espanha.

Tipologia:

Arquitectura agrícola, pombalina. Marcos de demarcação de uma região de produção vitícola, de montanha e de encosta, de forma paralelipidédica com três faces lisas e uma parcialmente epigrafada *2.

Características Particulares:

Marcos graníticos monolíticos de grande simplicidade, com a face principal gravada com uma marcação própria e com a data de colocação. Perpetuam e assinalam a mais antiga região vitícola demarcada e regulamentada do mundo. Ao contrário do que aconteceu com outras demarcações anteriores de regiões vitícolas, como Chianti, em 1716, e Tokay, em em 1737, a demarcação do Alto Douro (v. PT011701040033) foi acompanhada por ampla legislação regulamentadora, por um sistema de classicação das parcelas e dos respectivos vinhos, tendo em conta a complexidade do espaço regional. As demarcações do séc. 18, independentemente da variação dos seus limites, que de c. 40 mil ha. passaram para 250 mil, assumiram uma continuidade temporal até aos nossos dias e mantiveram uma grande carga simbólica na região. Os marcos e demarcações são conhecidos como pombalinos devido à associação ao Marquês de Pombal, o primeiro ministro na época. Um dos existentes na freguesia de Adorigo possui a datação de 1761.

Dados Técnicos: Estrutura autoportante.

Materiais: Granito.

Bibliografia:

FONSECA, Álvaro Baltazar Moreira da, As Demarcações Pombalinas do Douro Vinhateiro, Porto, 1949-1951; MONTEIRO, J. Gonçalves, Tabuaço, Tabuaço, 1991; FAUVRELLE, Natália, Quintas do Douro. As Arquitecturas do Vinho do Porto, Porto, 1999; BIANCHI-DE-AGUIAR, Fernando ( coord. ), Candidatura do Alto Douro Vinhateiro a Património Mundial, Porto, 2000; ALMEIDA, Gustavo de, Marcos de demarcação da zona de produção de vinhos generosos do Douro, in Voz de Tabuaço, 20 Dezembro 2007, p. 16.

Documentação Gráfica: IHRU: DGEMN/DSID   Documentação Fotográfica IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa: Não definido

Intervenção Realizada: Não definido

Observações:

*1 – DOF: Marcos graníticos que serviram para demarcar em 1757, a zona de produção de vinhos generosos do Douro, colocada sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro: n.º 94, em Adorigo ( Lugar de Saavedra – Quinta do Valongo ), n.º 95, em Adorigo ( caminho público de Tedo para Adorigo ), n.º 96, em Quinta da Aveleira ), n.º 97, no Lugar das Alagoas ( caminho do convento das Águias para a Aveleira ). *2 – a zona demarcada de produção dos vinhos do Porto subdivide-se em três sub-regiões, designadas por: Baixo Corgo, que na margem direita do rio Douro vai desde Barqueiros ao rio Corgo ( concelho de Mesão Frio, Pêso da Régua, Santa Marta de Penaguião e Vila Real, do distrito de Vila Real ), e na margem esquerda desde a freguesia de Barrô, até ao rio Temi-Lobos, próximo da vila de Armamar ( concelhos de Armamar e Lamego do distrito de Viseu ); Cima Corgo, que se apoia na anterior e vai até ao meridiano que passa no Cachão de Valeira ( na margem direita correspondente ao concelho de Alijó, distrito de Vila Real, e na margem esquerda ao concelho de São João da Pesqueira e Tabuaço, do Distrito de Viseu, e Vila Nova de Foz Côa, do distrito da Guarda; e o Douro Superior, que se apoia na anterior e vai até à fronteira espanhola ( correspondente aos concelhos de Carrazeda de Ansiães e Torre de Moncorvo do distrito de Bragança), onde surgem vários marcos (v. PT011701070004, PT011704010004, PT011708030001, PT011710020004, PT011711020002, PT011714080011, PT011801190003 e PT011805150011).

Autor e Data: João Carvalho 1999

Actualização: Paula Figueiredo 2002                                                                 

Fonte: www.monumentos.pt