De São Pedro do Sul à Serra de Montemuro

Parte-se de São Pedro do Sul com destino a Castro Daire. Pelo caminho visita-se São Macário e a Aldeia da Pena, onde os carros e o carteiro não podem entrar, e no fim come-se muito e bem. O que vale é que a caminhada é valente.

Conta a lenda que D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, estanciou em S. Pedro do Sul em 1169 para curar as feridas contraídas na batalha de Badajoz. Verdade ou não, e parece mesmo que é, hoje, estas termas situadas na região de Lafões, na margem esquerda do rio Vouga, são uma das mais importantes do país. Por ali passam, durante todo o ano, milhares de pessoas. Por isso mesmo o movimento é enorme. O melhor é parar o carro e seguir a pé. Passeie-se pelas ruas cobertas de árvores e perca-se então alguns minutos numa das esplanadas. Mas não muitos porque o passeio promete.

São Macário e Aldeia da Pena

O destino é Castro Daire na Serra de Montemuro, mais ou menos a 30 quilómetros de distância. A caminho, é obrigatório passar por São Macário, com bonitas aldeias, para ver e uma paisagem que é deslumbrante. A estrada recorta um enorme vale e o verde contrasta com as encostas cobertas de giestas. Siga-se as indicações e, quase a chegar ao Alto de São Macário, a 1052 metros de altitude encontra-se uma pequena placa que conduz à Aldeia da Pena. A partir daqui faltam pouco mais de dois quilómetros para lá chegar. Mas a estrada não ajuda. Uma descida íngreme onde só passa um carro. E mal diga-se. Por isso mesmo o melhor é não passar de segunda. Lá em baixo, completamente isolado, começa-se a ver, em ponto pequeno, um aglomerado de casas. Aqui os carros ficam à porta, não podem entrar, mas na verdade, também não existem estradas por isso a proibição é quase escusada. A sensação é de se estar num sítio perdido. Com apenas dez casas, todas em xisto, e seis habitantes, a Aldeia da Pena revela-nos pormenores tão deliciosos como o facto de aqui o carteiro também não entrar. À hora combinada, lá estão as seis caixas de correio alinhadas à entrada da povoação.
Quase ao pé da Adega Típica de Pena, o restaurante lá do sítio, onde vale a pena parar algumas horas. Para recuperar as forças. A ementa é substituída por um cartão de visitas, onde estão indicados os pratos, sem preços claro. Mas não se assuste, a refeição não passa dos 10 € já com sobremesa incluída. Escolha-se um cabrito ou um borrego assado. Delicioso.

Até Castro Daire

Mais tarde, de barriga cheia, e com as pernas cansadas do passeio pela aldeia, volte-se para o carro. O caminho de regresso tem que ser obrigatoriamente o mesmo. Desta vez a subir. Siga-se agora até São Macário, e visite-se a capela da aldeia, local de romaria muito visitado.
O relógio não pára e é altura de partir finalmente em direcção a Castro Daire, na Serra de Montemuro, o segundo maior concelho de Viseu, destino traçado no início do percurso. Vila conhecida pela sua actividade artesanal, para comprar alguma coisa, por exemplo peças em linho, pode-se passar pela Associação Etnográfica de Montemuro. E já agora, logo ao lado, no restaurante, come-se um excelente arroz de feijão com salpicão. Para acabar em beleza…

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