Casa do Paço de Dálvares – Tarouca

IPA: Monumento

Nº IPA: PT011820010014

Designação: Casa do Paço de Dálvares / Paço de Alvares / Casa do Paço / Paço da Honra de Alvares

Localização: Viseu, Tarouca, Dalvares

Acesso: EN 226

Protecção: Inexistente

Enquadramento: Rural, isolado. Ergue-se sobre uma pequena elevação, sobranceiro à estrada e orientado a SE.

Descrição: Planta longitudinal em U, composta por corpos cronologicamente distintos, fechado para o lado direito com um muro de granito aparelhado, formando um pátio interior. Coberturas diferenciadas de 4 águas no paço primitivo e inexistentes nos edifícios adossados. Anexos ao flanco SO e a NO do edifício inicial, encontram-se 2 edifícios de época posterior, formando 2 alas articuladas. O paço primitivo, a SE, organiza-se em 2 níveis, com o frontespício delimitado por vãos de ritmia irregular. Existência de 9 cachorros desnivelados que indiciam 2 épocas de construção. No piso térreo, a meio da fachada, encontra-se a entrada principal, um portal em arco de volta quebrada biselado, ladeado à direita por um vão de porta e à esquerda por uma janela, ambos rectangulares e com as arestas chanfradas. No 2º piso, de realçar a janela de sacada rectangular com base da varanda em granito e gradeamento em ferro. A fachada posterior deste conjunto, correspondente ao edifício situado a NO., tem um só piso (devido à diferença de cota do terreno), denotando-se ainda a existência de um vão de porta *1. A NE., existem 2 corpos semelhantes, correspondentes às fachadas laterais do paço primitivo e do edifício adossado a NO., com 2 pisos e ligados pelo muro que fecha o U da planta. A SO. e contígua à estrada, a fachada lateral esquerda do paço, ainda se vendo 2 janelas rectangulares, uma delas horizontal e gradeada, outra cavada num bloco de granito. No pátio interior localizam-se os acessos aos segundos pisos dos corpos. De acesso ao 2º piso do paço primitivo, uma escada exterior de um lance em granito. De acesso ao 2º piso dos corpos anexos, uma escada alpendrada, de 2 lances e patim de espera, também de granito. No interior do paço primitivo registam-se no piso térreo paredes divisórias de granito aparelhado, com portas rectangulares. No 2º piso, vêm-se conversadeiras junto às janelas, alguns nichos e uma parede, de época posterior, em tabique. O pavimento é composto por vigamento e tabuado em madeira.

Descrição Complementar: Não definido

Utilização Inicial: Residencial: casa de Honra

Utilização Actual: Recreativa: sede da Confraria do Espumante da Murganheira / Cultural: Museu do Espumante da Murganheira

Propriedade: Pública: municipal

Afectação: Sem afectação

Época Construção: Medieval (Alta Idade Média)

Arquitecto | Construtor | Autor: Não definido

Cronologia: 1152 – 1ª referência de Dalvares: “per portum de Alvares”*2; séc. 12 / 13 – surge a linha dos senhores da “honra” de Alvares ligada a Egas Moniz *3 (não se sabe se por doação régia ou por aquisição própria) oferecendo de pais para filhos o seu nome e à qual está associada o paço medieval ou “quintã velha” *4; terá também vivido neste paço D. Urraca Afonso, filha natural de D. Afonso III, casada com D. Pedro, ambos sepultados no Mosteiro de Salzedas *5; 1258 – é senhor Rodrigo Anes, a que sucedeu João Rodrigues; a honra não pagava foro ao rei; 1288 – nas inquirições, regista-se o nome de João Rodrigues (filho de Rodrigo Anes de “Alvares”), já falecido e senhor da “quintã” velha ou da honra de Alvares *6; séc. 13, final – eram Senhores da honra Egas Lourenço e Urraca Anes; 1290 – nas Inquirições, é referido que a honra era composta por uma zona mais antiga, que pertencera a João Rodrigues e uma nova, de Afonso Alcoforado; após séc. 13 – desfaz-se ou cai na obscuridade a linha dos senhores da honra de Alvares, resultante da decadência da antiga nobreza e de alienações; séc. 17 / 18 – provável construção dos corpos SE. e NO., adossados ao paço primitivo; *7; 1994 – aquisição da casa pela Câmara Municipal, que se encontrava arruinada e que fora utilizada para fins agrícolas; 1998, 13 Março – despacho de abertura do processo de classificação; 2004 – início das obras; 2006, Maio – inauguração do imóvel pela Ministra da Cultura; 29 Junho – despacho de arquivamento do processo de classificação.

Tipologia: Arquitectura residencial, medieval. Paço Medieval de planta rectangular acrescido de 2 corpos, seiscentista / setecentista, formando um conjunto de planta em U, com o frontespício para a ala direita do mesmo.

Características Particulares: Carga histórica do paço, ligado à estirpe de Egas Moniz. Qualidade arquitectónica deste imóvel, traduzida pelas suas linhas simples e escala humana.

Dados Técnicos: Paredes autoportantes em granito (aparelho “vittatum” no edifício principal e “incertum” nos edifícios adossados, de época posterior). Estrutura entre-pisos em madeira.   Materiais Granito aparelhado (paredes exteriores, algumas interiores, escadas), madeira (pavimentos, tectos e tabique), ferro fundido (varandim, grades), telha de capa e caleira (telhado), telha de marselha (telhado), alvenaria de pedra miúda e argamassa (tabique).

Bibliografia: Corpo Chronológico, partes I e II, maços I *8; Dicionário Geográphico, vol XIII, memória 3 *8; Livro dos Foraes Novos da Beira, col. I *8; FRANKLIN, Francisco Nunes, Memória dos Forais, Lisboa, 1825 *8; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol III, Lisboa, s.d.; MOREIRA, Ab. Vasco, Monografia do Concelho de Tarouca, Viseu, 1924; Escola Preparatória de Tarouca, Levantamento Arquitectónico e Artesanal, Concelho de Tarouca, 1993; Câmara Municipal de Tarouca, Tarouca (Eco-Museu da Beira), Lamego, 1995; FERNANDES, A. de Almeida, As Dez Freguesias de Tarouca (História e Toponímia), Braga, 1995; Tarouca recupera edifício onde viveu Egas Moniz, in Público, 20 Maio 2006; Recuperada casa onde viveu Egas Moniz, in O Primeiro de Janeiro, 22 Maio 2006.

Documentação Gráfica: Postal editado pela Câmara Municipal de Tarouca (Fev 95); DSID

Documentação Fotográfica: IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa Não definido

Intervenção Realizada CMT: 2004 / 2005 / 2006 – recuperação do imóvel, com consolidação estrutural, restauro das coberturas e projecto de reutilização.

Observações: *1 – Terá aí existido um lagar. *2 – O “porto”, a passagem do rio Barosa, local depois chamado as Poldras (limite do couto de Argeriz, dos monges cistercienses de Salzedas, criado por carta de D. Afonso I, e dado a D. Teresa de Afonso. *3 – Esta “honra”, de pais para filhos, é passada para seu neto paterno Egas Mendes (filho de Mem Viegas), Gonçalo Viegas, Gonçalo Gonçalves, Teresa Gonçalves e Rodrigo Anes. *4 – Ver a explicação do termo “quintã” por A. de Almeida Fernandes em “As Dez Freguesias de Tarouca” (Dalvares). *5 – Cf Monarquia Lusitana, I, V15, t. IV, f 220 V e 221. *6 – Nesta altura a estirpe era já secundária, por força da alienação dos bens a mosteiros e igrejas; *7 – séc. 16 / 17 – Dalvares é erigida em paróquia ou freguesia e o título ou orago ficou a ser o do Divino Espírito Santo; 1748 – Dalvares torna-se freguesia (antes estava anexa ao concelho de Tarouca); 6 de Junho de 1896 – extinção do concelho de Tarouca, Dalvares é anexada ao concelho de Lamego; 13 de Janeiro de 1898 – restauração do concelho de Tarouca, fixam-se as actuais freguesias (entre elas Dalvares). *8 – Bibliografia existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Autor e Data: Anouk Costa 1997

Fonte: www.monumentos.pt