A ameaça que vem dos EUA

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Que a maioria dos países do mundo andava a viver acima das suas possibilidades financeiras, ninguém tem dúvidas.

A crise financeira apenas veio destapar as graves situações comuns a vários países, da Grécia à Irlanda, de Portugal à Itália.

E mesmo a dívida colossal dos EUA está longe de ser um problema de ontem – dia em que pela primeira vez na história, e pela mão das temíveis agências de notação financeira, perdeu o triplo A positivo para ficar apenas com um duplo A+. Vem de longe e até já foi muito mais grave, quando há dois anos a falência do Lehman Brothers abanou o mundo e pôs a economia americana em recessão.

Por isso, a única questão que se pode colocar é: porquê agora? As respostas dos economistas e demais especialistas são várias, vagas e muito pouco esclarecedoras. Há quem fale em pura especulação, mas a grande maioria aponta uma outra razão bem mais consensual: estamos perante um problema político nos EUA, uma guerra entre republicanos e democratas, que no final tem a reeleição de Obama como alvo. Só que o que acontece na América não fica lá. Este corte inédito no risco do cumprimento da dívida americana ameaça ter efeitos muito maiores e mais graves no adensar da crise financeira mundial. E é a Europa que mais tem a temer, perante a grave crise do euro com que já se debate.

Com a Itália e a Espanha sob pressão, e após as intervenções na Irlanda, na Grécia e em Portugal, o BCE decidiu reunir já hoje, um domingo a meio de Agosto, de emergência, o mesmo podendo acontecer com o G7, ao mesmo tempo que os principais líderes, como Sarkozy e Cameron, interrompem as férias para estabelecer os necessários contactos urgentes. O objectivo é apresentar uma solução que trave o pânico e impeça mais uma segunda-feira negra nas Bolsas.

A solução, mais do que nunca, terá de ser global. E provavelmente ainda obrigará a Europa a unir-se aos EUA. E neste turbilhão verdadeiramente assustador, pode ser que Portugal ainda beneficie com essas medidas abrangentes que não podem tardar.

Marreiros